Foi lançada a versão online do primeiro Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal, uma ferramenta fundamental para a gestão e conservação das aves selvagens portuguesas.
Mais de 400 espécies de aves registadas, em apenas dois anos, em resultado de um trabalho de campo conduzido por mais de 400 ornitólogos – amadores e profissionais, que produziu quase quatro mil horas de censo e 150 mil registos, cobrindo três quartos do território nacional, só nas visitas sistemáticas.
Com a colaboração técnica e científica do LabOr - Laboratório de Ornitologia da Universidade de Évora, uma unidade integrada no Grupo de Investigação Paisagem, Biodiversidade e Sistemas Sócio-Ecológicos do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), este projeto, co-financiado pelo Fundo EDP para a Biodiversidade 2010, envolveu, ainda, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, a Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e a Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves.
Domingos Leitão, diretor executivo da SPEA, salienta que este compêndio de informação sobre ocorrência das aves no território nacional (incluindo Açores, Madeira e Selvagens) durante o outono e inverno “vai certamente ficar como referência para trabalhos futuros”, e “orgulhar os ornitólogos portugueses”.
São as rias, estuários e lagoas próximas da costa as zonas do país que albergam maior diversidade de aves durante o inverno - locais igualmente importantes para as aves aquáticas que migram pelo território continental português - “e que dependem de uma vasta rede de zonas húmidas costeiras, desde o estuário do Minho a norte, passando pelo estuário do Tejo (a zona húmida mais importante do país), até ao estuário do Guadiana a sul”. Já no sul do país e em locais como a península de Sagres ou as serras algarvias são as aves planadoras e as aves de rapina, as cegonhas e os grous que fazem notar a sua presença com maior preponderância.
Relativamente às migrações sobre alto mar, o documento diz-nos que “as aves marinhas que passam na nossa costa têm diferentes padrões migratórios”, optando umas por ficar por águas lusas, outras que estão apenas de passagem. No outono e inverno, os matos mediterrânicos e os olivais “enchem-se de tordos e toutinegras de Trás-os-Montes ao Algarve, a lezíria do Tejo e as planícies alentejanas sustentam grandes populações abibe, laverca e petinha-dos-prados, enquanto os montados fervilham com pombos-torcazes, piscos-de-peito-ruivo e tentilhões”.
O Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal está disponível em: bit.ly/atlas_aves




